Um pouco sobre VINHOS (I)

Este artigo é um resumo do livro aqui identificado na ‘fonte’, escrito de forma tão agradável que nos faz viajar e dar a qualquer vinho que bebemos, um sabor mais especial ainda. Não existe nada que dê mais prazer do que entrar em contato com o que revela um mistério. E este livro é exatamente isso: o desvendar dos mais profundos mistérios sobre a arte de saborear um bom vinho.
“… De repente você não consegue parar de bebericar, o vinho deixa de ser simplesmente uma bebida alcoólica e forma-se uma espécie de cordão umbilical líquido que o liga ao passado, a outro país, a um modo de vida diferente, a um prazer mais profundo que você jamais pensou poder encontrar em uma taça. Subitamente você entende por que o vinho e a paixão andam juntos e quer saber mais.”
A videira é uma planta trepadeira delicada, que surgiu em nosso planeta provavelmente há alguns milhões de anos, lá pelas florestas da Ásia Central. Quem produziu o primeiro vinho, também provavelmente, foram os pastores de cabras da Armênia, que habitavam naquele local, um país localizado numa região montanhosa na Eurásia, entre o mar Negro e o mar Cáspio, fazendo fronteiras com a Turquia, o Irã, o Azerbaijão e a Geórgia.
Em meados do século XIX, a América exportou para a Europa, por navio, um monstrinho de apetite voraz, que durante vinte anos arruinou os vinhedos europeus. Como solução, criou-se um tipo de enxerto resistente ao bichinho de nome estranho, parasita da vinha: Filoxera – ele resiste até hoje e pode ser encontrado na Alemanha, Grécia, Espanha, França, Itália, Luxemburgo, Áustria, Portugal e Reino Unido, e é ferozmente combatido. O enxerto consistiu em deixar a parte da vinha que ficava abaixo do solo; no nível do solo fez-se o enxerto e, acima do solo acoplou-se outro tipo de videira. Diz-se então, que a videira é duas plantas em uma, mas alguns produtores não utilizam essa estratégia, permitem a integridade da planta e inclusive registram nos rótulos de seus vinhos que eles são produto de uma videira sem enxertos.
É interessante saber que as videiras crescem mais para baixo da terra do que para cima, algumas chegam a alcançar a profundidade equivalente à de um edifício de 40 andares, algo em torno dos 140 metros de profundidade.
Videiras gostam de sol e muita luminosidade, odeiam o frio e o inverno, e essa variação atmosférica afeta diretamente o sabor do vinho. Quanto mais luminosidade e calor, melhor o sabor do vinho. Elas adoram subir colinas e, por isso, grande parte dos vinhos franceses chama-se ‘Côte’ alguma coisa, porque Cote significa ‘declive’. Também gostam de rios, lagos e solos rochosos. Como a terra é um organismo vivo e sua composição sofre transformações palmo a palmo, isso determinará o sabor do vinho, que pode ser um em determinado local e outro em local muito próximo.
“… O vinho é algo que a natureza quer que aconteça … Quanto menos você interfere, melhor o vinho. Eu não faço vinho, o vinho faz a si próprio. Estou aqui apenas para ajudar na transformação.” – Noel Pinguet, vale do Loire, França
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A cor do vinho vem da sua casca após macerada, e não do seu suco. Experimente espremer uma uva escura ou rosada entre os dedos e verá que o sumo sempre é branco. Então, todo vinho é branco. Um grande produtor de vinhos da região de Bordeaux diz: “sou um produtor de cascas”. O que dá o tom ao vinho é a sua preparação, a maceração.
E o que faz um vinho ser maravilhoso? Resposta: a sua aparência, o aroma e o sabor conseguidos após a “transformação’” a que se referiu Pinguet.
“Os vinhos são como as pessoas: não existem dois iguais”.
Fonte: 101 dicas sobre Vinho que você precisa saber. Andrew Jefford. Ed. Mandarim.São Paulo. 2000.
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